A 4ª Reunião Ibérica da Aliança Territorial Europeia (ATE) realizou-se esta segunda-feira, 13 de abril, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Castelo Branco, e teve como principais objetivos: reforçar a reivindicação pela construção do IC31 em perfil de autoestrada; afirmar este corredor como eixo estratégico para o desenvolvimento, atração de investimento, criação de emprego e valorização turística; e consolidar a cooperação transfronteiriça entre o Norte da Extremadura espanhola e a Beira Baixa.
Entre os participantes estiveram sócios da ATE, empresários, presidentes de Juntas de Freguesia, entidades, associações e diversos convidados, que se uniram em torno da necessidade urgente de concluir a ligação rodoviária entre Madrid e Lisboa, através do troço em falta entre Moraleja e Castelo Branco, com cerca de 72 quilómetros.
Durante a sessão, foi lançado um apelo claro para o início das obras ainda em 2026. Foi também anunciada uma nova ação de reivindicação pública, agendada para o próximo dia 20 de maio, entre as 18h30 e as 19h30 (hora portuguesa), na Ponte Internacional de Monfortinho.
Foi ainda comunicada a intenção de promover, em breve, reuniões com os grupos parlamentares na Assembleia da República, em Lisboa, e na Assembleia da Extremadura, em Mérida, com o objetivo de reforçar o compromisso com este projeto.
Subordinada ao tema “Ligar Territórios & Pessoas. Construir um Futuro em Conjunto”, a 4ª Reunião Ibérica da ATE contou com várias intervenções:
Leopoldo Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, sublinhou que “este território quer e merece ter as mesmas oportunidades que outras regiões da União Europeia”, defendendo que a construção do IC31 não é uma causa partidária, mas sim um desígnio coletivo “com o objetivo central de desenvolvimento, atração de mais empresas e fixação de população”.
Apesar do reconhecimento governamental da importância da obra, o investimento previsto no Orçamento do Estado, de 1 milhão de euros, “é manifestamente insuficiente”.
Elza Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, apelou ao respeito por “um povo que nunca desistiu, que soube reinventar-se e olhar para o futuro”. “Temos feito um trabalho com visão e dedicação e exigimos equidade”, defendendo que este projeto representa “uma oportunidade transformadora para o território”, capaz de aproximar esta região dos centros de decisão e melhorar a qualidade de vida.
José Miguel Oliveira, Presidente da Câmara Municipal de Penamacor, alertou para o impacto do desinvestimento contínuo nesta que considera ser “a fronteira mais pobre da Europa”, classificando como “vergonhosa” a ausência de concretização do IC31.
Afirmou que esta infraestrutura será determinante para “reduzir custos logísticos, fixar população e potenciar o posicionamento estratégico desta região entre duas capitais europeias”, relembrando que “a Península Ibérica é a maior potência turística mundial e devemos olhar para isto com potencial”.
João Lobo, Presidente da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) e da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, sublinhou a necessidade de transformar consensos políticos em ação concreta, colocando a questão: “Se os partidos políticos estão todos de acordo e se já estão tratadas as condições para avançar com a obra, então o que falta?”.
Reconhece que “o IC31 é um veículo importante para tudo o que é economia”, que “peca por tardio, há mais de 20 anos se luta por ele”. Porém, manifestou a expectativa de que as obras possam avançar até 2027.
David Torres, representante do Ayuntamiento de Moraleja, destacou o espírito de cooperação e trabalho conjunto para se conseguir alcançar as vantagens económicas e empresariais associadas ao projeto, lamentando que “a situação atual não permita criar projetos de maior envergadura”.
Angélica García, representante da Diputación de Cáceres, reforçou o apoio unânime ao desenvolvimento da ligação, salientando o seu potencial para o turismo e para o transporte de mercadorias: “Queremos o nosso território e as nossas gentes com mais oportunidades e continuaremos a lutar para que isto seja uma realidade”.
Abel González Ramiro, representante da Diputación de Badajoz, evidenciou a importância da autoestrada para a competitividade do setor agrícola, permitindo melhorar o acesso aos mercados internacionais: “Nós temos muita agricultura, mas para colocar o nosso produto no mercado exterior, temos que competir não só em qualidade como também no preço”.
“Badajoz está comprometido com este projeto, pois partilha do mesmo problema que a região da Raia e, por isso, apoia esta construção”, referiu.
Francisco Martín, Porta-voz da Alianza Territorial MSU-NORTE da Extremadura, destacou o esforço de mais de duas décadas na defesa deste projeto, considerando, contudo, que “precisamos de lutar mais, queremos que os Ministros se reúnam e tratem este projeto como prioritário”.
Alertou ainda para a perda anual de cerca de 1 milhão de turistas devido à ausência desta ligação e realçou que esta é uma luta pela igualdade de oportunidades e pela dignidade dos territórios do interior.