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Presidente da Câmara abre debate sobre ação climática com foco na estratégia ambiental de Castelo Branco

29 jun, 2026

O Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, reforça a recusa da Autarquia à proposta da empresa Eurowind para instalar uma central híbrida (solar e eólica) de grande escala no concelho.

As declarações foram feitas na sessão pública do projeto europeu NEUROCLIMA (financiado pela Comissão Europeia através do Programa Horizonte Europa), que decorreu na Fábrica da Criatividade, no passado dia 25 de junho.

A empresa dinamarquesa Eurowind quer investir mais de mil milhões de euros em energias renováveis em Castelo Branco, com a instalação de centrais solares, parques eólicos e sistemas de baterias, mas o Executivo já manifestou a sua firme discordância face à localização pretendida.

O Autarca albicastrense - que recebeu, na semana passada, os responsáveis da Eurowind para uma reunião na Câmara Municipal - vinca que, embora o Município encare favoravelmente a transição energética, recusa a instalação de megaprojetos em solos agrícolas produtivos ou áreas de sensibilidade ambiental protegida.

Irei apresentar todas as explicações e o relatório detalhado deste processo na próxima sessão da Assembleia Municipal” (esta segunda-feira, 29 de junho), garantiu, fundamentando as razões de ordenamento do território que ditaram a recusa da proposta.

Na sua intervenção, o líder do Executivo aproveitou para destacar alguns exemplos de medidas de mitigação e sustentabilidade ambiental desenvolvidos pelo Município, começando pela “eliminação definitiva da utilização de glifosatos e outros herbicidas químicos” nas operações de limpeza e manutenção de todo o espaço público, salvaguardando a biodiversidade e a saúde pública.

No plano da gestão da água, apontou os esforços para viabilizar, junto das Águas de Portugal / EPAL, a “reutilização de águas tratadas da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) para fins de rega e lavagem de ruas”.

Paralelamente, o Presidente da Câmara fez um apelo aos munícipes para a separação de resíduos, sustentado no custo por tonelada pago à Valnor que escalou drasticamente de 53€ para 93€. “A única solução para travar este aumento de custos, que impacta diretamente a fatura dos cidadãos, é o rigor na separação e na reciclagem”, explicou Leopoldo Rodrigues, que destacou também o alargamento progressivo da recolha seletiva de biorresíduos no concelho.

O evento incluiu o debate “Territórios em Transição: Como Comunicar e Decidir a Ação Climática com as Pessoas?”, moderado por Ana Rita Cristóvão (canal Conta Lá), com a participação de João Carvalhinho (secretário-executivo da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa), Patrícia Fonseca (jornal Médio Tejo), Paulo Gomes (diretor da revista Voz do Campo), Duarte Costa (partido Volt) e de Graça Passos (Quercus).

No painel, foram apresentadas ferramentas do NEUROCLIMA para a literacia climática e discutiu-se a “inteligência do lugar” perante os desafios da Beira Baixa, como a seca e o uso do solo.

O evento terminou com a exibição de filmes cedidos pelo CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, como momento final de reflexão através do cinema ambiental.